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Habilidades ligadas ao pensamento analítico, tomada de decisão e liderança estão entre as competências que mais ganharão relevância nos próximos anos diante do avanço da inteligência artificial (IA), segundo relatório do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro do trabalho. Com a automação assumindo tarefas operacionais dentro das empresas, cresce também a necessidade de líderes capazes de estruturar decisões, organizar processos e conduzir equipes em ambientes cada vez mais híbridos, onde tecnologia executa e o humano direciona.
Na prática, ferramentas de IA já realizam funções como atendimento, análise de dados, organização financeira, automação de processos e produção de conteúdo. Para muitas empresárias, isso representa uma mudança importante na forma de liderar. O foco deixa de estar apenas na execução e passa a exigir mais clareza estratégica, capacidade de decisão e distribuição de responsabilidades.
Para a mentora em liderança feminina aplicada ao negócio real e CEO da Anima Impacto Consultoria, Alessandra Freitas, o maior erro de muitas empresárias é acreditar que a tecnologia resolve problemas de gestão sozinha. “A inteligência artificial pode acelerar processos, mas não substitui discernimento, direção e autoridade. O desafio é que muitas empresárias ainda estão presas ao operacional e tentando controlar tudo. Em um cenário automatizado, isso se torna ainda mais limitante”, afirma.
Segundo ela, empresas que crescem de forma sustentável são aquelas em que a líder consegue sair da posição de executora central da operação para assumir um papel mais estratégico. “Não é a ferramenta que sustenta crescimento. É a capacidade da líder de organizar decisões, estruturar processos e construir equipes com responsabilidade distribuída. A tecnologia potencializa o que já existe. Se a liderança é desorganizada, a automação só acelera o caos”, explica.
Esse movimento vem sendo chamado por especialistas de liderança 5.0, modelo que integra inteligência humana, tecnologia e gestão estratégica. Nesse contexto, competências consideradas essencialmente humanas passam a ganhar ainda mais valor, como leitura de cenário, pensamento crítico, comunicação clara e capacidade de sustentar decisões em ambientes de mudança constante.
Para Alessandra Freitas, conhecida como Alê Freitas, o avanço da IA também exige uma mudança de mentalidade das empresárias. “Muitas mulheres cresceram empreendendo na lógica da centralização, acreditando que liderança é controlar tudo. Mas liderar não é executar cada tarefa. Liderar é criar clareza, definir critérios e desenvolver equipes que consigam operar sem depender da dona o tempo inteiro”, destaca.
Em um mercado cada vez mais automatizado, a tendência é que empresas competitivas sejam lideradas não necessariamente por quem trabalha mais, mas por quem consegue equilibrar tecnologia, estrutura e capacidade de decisão. “O futuro não pertence à líder que faz tudo. Pertence à líder que consegue pensar estrategicamente enquanto a operação funciona com inteligência, processo e autonomia”, conclui.
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