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O trabalho temporário vive uma nova fase no Brasil. Criado oficialmente pela Lei 6.019, de 1974, o modelo nasceu para atender demandas transitórias de mão de obra, como substituição de colaboradores e picos sazonais de produção. Cinquenta anos depois, porém, a modalidade assumiu uma função muito mais estratégica dentro das organizações.
Segundo Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, a evolução do mercado de trabalho e as mudanças na dinâmica dos negócios transformaram a forma como empresas utilizam profissionais temporários e especialistas alocados para projetos específicos.
“Durante muitos anos, o trabalho temporário foi visto apenas como uma solução operacional. Hoje, ele se tornou uma ferramenta estratégica para apoiar crescimento, transformação organizacional e demandas especializadas”, afirma o executivo, que atua no setor desde 2001.
A mudança acompanha um cenário empresarial cada vez mais marcado por transformações tecnológicas, pressão por resultados, novas exigências regulatórias e necessidade de adaptação rápida às mudanças de mercado.
Ao longo das últimas duas décadas, especialmente após as atualizações na legislação trabalhista, empresas passaram a enxergar a gestão da força de trabalho de forma mais flexível.
Em vez de utilizar profissionais temporários apenas para cobrir ausências ou atender períodos de maior demanda, organizações passaram a recorrer ao modelo para acelerar projetos estratégicos, apoiar processos de transformação digital, implementar sistemas, atender exigências regulatórias e incorporar conhecimento especializado sem ampliar permanentemente seus quadros.
Na avaliação de Fernando Pedro, a gestão de pessoas deixou de ser uma questão exclusivamente operacional para se tornar um tema diretamente ligado à competitividade dos negócios.
“Hoje, as empresas precisam responder rapidamente a mudanças do mercado. Estruturas extremamente rígidas já não acompanham essa velocidade. A flexibilidade passou a ser um diferencial competitivo”, explica.
A crescente complexidade das operações corporativas também impulsionou a procura por profissionais altamente especializados.
Áreas como tecnologia, fiscal, financeira, jurídica, compliance e gestão de projetos estão entre as que mais demandam talentos para missões específicas e de duração determinada.
Segundo o executivo, o desafio atual vai muito além do simples preenchimento de vagas.
“O diferencial está em compreender profundamente o contexto de cada organização. Não se trata apenas de encontrar um profissional disponível, mas de identificar quem possui o perfil adequado para contribuir naquele momento específico do negócio”, afirma.
Essa lógica tem ampliado a utilização de modelos como staff loan e alocação especializada, que permitem às empresas acessar competências específicas de forma ágil e alinhada aos objetivos estratégicos.
Para Fernando Pedro, o mercado caminha para estruturas cada vez mais híbridas, combinando equipes internas permanentes com profissionais especializados alocados em projetos estratégicos.
A tendência, segundo ele, é que as organizações adotem modelos mais dinâmicos de gestão de talentos, capazes de equilibrar eficiência operacional, inovação e flexibilidade.
“O que vemos atualmente é apenas parte de uma transformação maior. As empresas estão construindo modelos mais adaptáveis, preparados para responder rapidamente às oportunidades e desafios do mercado”, avalia.
Cinco décadas após sua criação, a Lei 6.019 continua relevante, mas sua aplicação ganhou novos contornos. O que antes era visto como uma alternativa para necessidades pontuais passou a integrar as estratégias de crescimento e transformação corporativa.
Para o RH, o movimento reforça a necessidade de repensar a gestão da força de trabalho, equilibrando estruturas permanentes e modelos flexíveis capazes de acelerar resultados e apoiar a evolução dos negócios.
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